Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus SerrulatusBula do Princípio Ativo

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus - Para que serve?

O Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus é indicado especificamente para o tratamento dos envenenamentos causados por picadas de escorpiões do gênero Tityus .

As imunoglobulinas específicas contidas no soro ligam-se especificamente ao veneno ainda não fixado nas células dos tecidos eletivos, neutralizando-o. As doses de antiveneno devem ser suficientemente elevadas, como recomendadas, para que o antiveneno seja encontrado com relativo excesso no meio sanguíneo circulante, dentro de um período de tempo relativamente curto. Nestas condições, quanto mais precoce for à administração do soro, maior será o seu potencial terapêutico.

As manifestações locais predominam na grande maioria dos acidentes, e são caracterizadas por dor imediata, de intensidade variável, irradiada para o membro; sudorese e parestesia .

Sudorese profusa, tremores, hipo ou hipertemia; prostração ou agitação; náuseas e vômitos, sialorréia, dor abdominal; hipertensão ou hipotensão arterial, arritmia cardíaca , insuficiência cardíaca , edema agudo de pulmão e choque.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus: Contraindicação de uso

As contraindicações praticamente não existem, porém a aplicação do soro antiescorpiônico deve ser feita em condições de estrita observação médica pelo risco de reações adversas.

Deve-se avaliar a indicação da terapia antiveneno pela presença de manifestações sistêmicas, ou seja, não limitadas à região à picada. Mesmo em crianças, a grande maioria dos acidentes é leve e não requer o tratamento com soro antiescorpiônico.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus: Posologia e como usar

O Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus deve ser aplicado sob supervisão médica, de preferência por via intravenosa, nas doses estipuladas; raramente está indicada a administração de doses adicionais. O soro inoculado por via intravenosa deve, preferencialmente, ser diluído em solução fisiológica ou glicosada a 5% à razão de 1:2 a 1:5, infundindo-se na velocidade de 8 a 12 mL/min, observando, entretanto, a possível sobrecarga de volume em pacientes pediátricos com insuficiência cardíaca e/ou edema agudo pulmonar.

A administração do antiveneno não deve ser fracionada. A frequência de reações à soroterapia parece ser menor quando o soro é administrado diluído. O Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus deve ser aplicado conforme as doses recomendadas, o mais precocemente possível.

Classificação quanto à gravidade, manifestações clínicas e tratamento específico (dose e via de administração):

Classificação

Soroterapia (nº de frascos-ampola)

Leve

Moderado

2 a 3

Grave

4 a 6

Mesmo em crianças, a picada por escorpião pode levar somente a um acidente leve. De qualquer forma, recomenda-se observação de 6 a 12 horas para assegurar que não hácomprometimento sistêmico e consequente indicação de terapia antiveneno.

Na ausência do Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus , o soro antiaracnídico que neutraliza os venenos das aranhas Loxosceles e Phoneutria , e de escorpiões do gênero Tityus , pode ser utilizado nas mesmas doses preconizada.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus - Reações Adversas

As reações imediatas e precoces podem ocorrer durante a infusão e nas duas horas subsequentes, e até 24 horas após a administração do soro. Na maioria das vezes, são leves. As proteínas heterólogas, além de liberar histamina, podem levar à formação de agregados de proteínas ou de imunocomplexos, ativando o sistema complemento. Este, por sua vez, pode levar à formação de anafilatoxinas e provocar a liberação de mediadores químicos de mastócitos e basófilos. Os sinais e sintomas mais frequentes são prurido, urticária , rubor facial, angioedema , exantema morbiliforme, taquicardia, rinorreia, espirros, tosse , náuseas, cólica abdominal e diarreia .

A administração do soro, assim como a de qualquer outro medicamento, pode provocar reações locais precoces de caráter benigno como dor, edema, hiperemia e equimose. A reação tardia, também conhecida como Doença do Soro, e pode ocorrer 5 a 24 dias após a aplicação do soro de origem heteróloga. A reação é caracterizada inicialmente com febrícula, urticária, erupções cutâneas de diferentes tamanhos e distribuição irregular. Pode haver comprometimento articular, às vezes exuberante, e geralmente atinge grandes articulações onde aparecem edemas sem rubor, dor espontânea e à pressão, e dificuldade de movimentação.

O enfartamento linfoganglionar produz adenopatias generalizadas de intensidade variável, resultando em gânglios palpáveis, móveis e dolorosos. Normalmente evoluem para a cura e sem sequelas.

Raramente podem ocorrer vasculite e nefrite.

A reação pirogênica, descrita com frequência cada vez menor, ocorre durante o uso do soro, podendo levar a febre alta (até 39ºC), acompanhada de calafrios e sudorese. Nesses casos, a infusão deve ser interrompida e administrado antitérmico. Após a remissão dos sintomas, a soroterapia deve ser reinstituída. Caso haja recorrência deste quadro, a solução que contém o soro deve ser desprezada e preparada nova solução.

As reações imediatas podem raramente evoluir para quadros graves, nos quais se evidenciam palidez, dispneia, edema de glote, insuficiência respiratória com hipoxemia, taquicardia intensa, bradicardia, hipotensão arterial que podem evoluir para choque e síncope , perda da consciência e colapso circulatório persistente.

Não descrita na literatura.

Solicitar informações ao paciente quanto ao uso anterior de soro heterólogo (antitetânico, antidiftérico, antirrábico ou antiofídico) e problemas alérgicos de naturezas diversas.

A ausência de antecedentes alérgicos não exclui a possibilidade de reações adversas. Não há consenso sobre a pré-medicação com bloqueadores dos receptores da histamina na prevenção ou redução das manifestações alérgicas. Assim, é facultada ao médico a administração de anti-histamínicos (antagonistas H1 e H2) e corticosteróides com 15 minutos de antecedência da dose de soro recomendada.

O teste de sensibilidade não deve ser realizado, pois não é capaz de detectar a sensibilidade do paciente, podendo desencadear reações, pois si mesmo. Além disso, o tempo gasto na execução retarda a aplicação da soroterapia.

Instalada a reação precoce, deve-se interromper a soroterapia temporariamente e iniciar o seu tratamento.

No caso de urticária generalizada, crise asmatiforme, edema de glote e choque deve-se proceder a administração imediata de adrenalina aquosa (1:1.000, milesimal, 1 mg/mL), intramuscular (IM), na face ântero-lateral da coxa (músculo vasto lateral), na dose de 0,01 mg/kg (0,01 mL/kg) até a dose máxima de 0,5 mL. Caso não haja resposta, pode-se repetir a mesma dose em intervalos de 5 a 15 minutos. Os corticosteróides e anti-histamínicos exercem papel secundário no controle dessas reações, podendo também ser utilizados. Em pacientes com manutenção broncoespasmo, podem ser empregados β2 agonistas inalatórios, como o fenoterol . Após a remissão do quadro de hipersensibilidade, reinstituir a soroterapia.

Diante de reações precoces graves (raras), que geralmente cursam com hipotensão/ choque e/ou insuficiência respiratória, o paciente deve ser colocado em posição supina se estiver hipotenso ou em choque (se o mesmo tolerar a posição e não estiver em insuficiência respiratória), ou decúbito lateral esquerdo, se estiver vomitando. A reposição volêmica com SF IV (20 mL/kg) deve ser iniciada balizando a oferta de acordo com a resposta. A entubação orotraqueal pode ser eventualmente necessária nos casos de insuficiência respiratória grave.

Uma vez controlada a reação precoce grave, a soroterapia deve ser reiniciada.

Em caso de eventos adversos, notifique ao Sistema Notificação em Vigilância Sanitária – NOTIVISA, disponível em http://www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/index.htm, ou para a Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus: Interações medicamentosas

Nenhuma medicação concomitante constituirá contraindicação para o uso do soro antiescorpiônico, porém todo medicamento que esteja sendo utilizado pelo paciente deverá ser informado ao médico.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus: Precauções

O Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus (substância ativa) deve ser aplicado sob supervisão médica, por via intravenosa.

Conservar o soro anticrotálico sob refrigeração entre +2°C e +8ºC. Não congelar.

Uma vez aberto o frasco-ampola, o Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus (substância ativa) deve ser usado imediatamente.

Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus: Ação da substância no organismo

Resultados de Eficácia

Não há ensaios clínicos controlados para a avaliação de eficácia do Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus , que é de origem equina (heteróloga), porém a sua capacidade em neutralizar as atividades tóxicas dos venenos de escorpiões do gênero Tityus é comprovada através de modelos animais de laboratório e pelo uso sistemático em pacientes.

Características Farmacológicas

O Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus é uma solução isotônica de imunoglobulinas heterólogas específicas de origem equina (IgG), purificadas por digestão enzimática, não pirogênica. As imunoglobulinas derivam do plasma de cavalos sadios, hiperimunizados com veneno integral de escorpiões Tityus serrulatus recebidos de diferentes regiões do Brasil. A atividade biológica neutralizante da letalidade dos venenos, exercida pelo Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus, é avaliada pela proteção conferida em camundongos, após inoculação intraperitonial de misturas de volumes diferentes de soro com quantidade fixa de veneno-referência.

O poder neutralizante do Soro Antiescorpiônico + Imunoglobulina Heteróloga Contra Veneno de Tityus Serrulatus deverá ser, no mínimo de 1,0 mg de veneno-referência de Tityus serrulatus por mL de soro. O plasma equino digerido enzimaticamante pela ação da pepsina, reduz o peso molecular da IgG de 160 kDa para 90 kDa a 100 kDa, eliminando da molécula de IgG a fração Fc, responsável pela ativação do sistema complemento por via clássica. Obtém-se desse modo uma molécula mais pura e menos reatogênica quanto a efeitos de natureza alérgica induzidos no paciente. A atividade neutralizante dos sítios combinatórios das moléculas de imunoglobulina, tratadas pela pepsina mantêm-se inalterada e, ainda, a possibilidade de formação espontânea de agregados proteicos, responsáveis também por reações alérgicas indesejáveis, é substancialmente reduzida.

Apesar do elevado grau de purificação do soro continua existindo, em potencial baixo, a possibilidade de indução a reações alérgicas em indivíduos hipersensíveis. Entre as reações indesejáveis a anafilaxia pode ocorrer pela degranulação de mastócitos ou ativação do sistema complemento, embora o choque anafilático letal seja muito raro.

Estudos bioquímicos experimentais demonstram que os efeitos observados no envenenamento humano por Tityus são devidos a ações nos canais de sódio, produzindo despolarização das terminações nervosas pós-glanglionares, com liberação de catecolaminas e acetilcolina. Estes mediadores determinam o aparecimento de manifestações orgânicas decorrentes da predominância dos efeitos simpáticos ou parassimpáticos.

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